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💌 Carta para meus filhos que não nasceram

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Meus amores, Meus pequenos, Minhas vidas… Eu nem sei por onde começar, porque não tive tempo de aprender a ser mãe. Não tive tempo de cantar pra vocês, de sentir seus chutes, de decorar o quarto, mas o tempo que vocês existiram dentro de mim foi o mais verdadeiro que já vivi. Vocês não foram um sonho. Vocês foram reais. Foram meus. E ainda são. A dor da partida de vocês me partiu também. Foi como se meu corpo tivesse dito adeus antes de eu estar pronta, e eu nunca estive. Desde que vocês se foram, nada mais é igual. Eu me olho no espelho e me pergunto quem sou, porque parece que junto com vocês, eu perdi pedaços de mim mesma que jamais vão voltar. E o mais difícil é ver o mundo continuar… Ver outras vidas chegando, risos novos preenchendo os espaços que agora são vazios pra mim. Seus tios tiveram filhos. E eu sorrio por fora, mas por dentro… eu grito. Eu queria vocês. Queria ver seus rostos. Queria ouvir seus choros. Queria cansar nos primeiros meses, reclamar com amor e me emocionar n...

✉️ Carta ao mundo, escrita em dor

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Se um dia alguém me perguntar por que eu desisti, diga a verdade: eu não desisti da vida — a vida é que desistiu de mim… aos poucos, em silêncio. Eu tentei. Acredite em mim: eu tentei. Tentei ser forte depois do primeiro vazio. Tentei não me culpar. Tentei não me odiar por algo que não estava nas minhas mãos. Mas as pessoas esqueceram de perguntar se eu realmente estava bem. Elas só esperavam que eu "superasse". Depois do segundo… eu deixei de ser alguém. Passei a ser só "a que perdeu". A que carrega o luto no corpo e o silêncio no rosto. Tudo o que eu fui um dia — meus sonhos, minha coragem, minha essência — foi soterrado por olhares de pena e frases vazias. E ninguém sabe o peso de carregar a culpa por duas vidas que você nunca pôde embalar nos braços. Ninguém sabe como é acordar todos os dias e sentir que o seu próprio corpo te abandonou. Eu queria ter sido mãe. Eu queria ter sido mais forte. Mas a verdade é que estou cansada de não ser mais nada. Talvez, n...

🌸 A breve história de uma sementinha corajosa

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Era uma vez uma sementinha muito especial. Ela foi formada com muito amor, com pedacinhos da mamãe e do papai. Desde o comecinho, ela quis muito crescer. Começou a construir seu lar no útero, e o corpo da mamãe a recebeu com alegria: mandou sangue, hormônios, carinho e proteção. Mas essa sementinha tinha um detalhe diferente. Lá no seu código secreto da vida — chamado DNA — havia um cromossomo a mais no par número 16. Ao invés de dois, ela tinha três. Esse pequeno erro, chamado trissomia do cromossomo 16, aconteceu por acaso, no momento mágico da união entre o óvulo e o espermatozoide. No começo, ninguém percebeu. Nem o corpo da mamãe. A sementinha ainda conseguiu se multiplicar, formar células, enviar sinais de que estava ali. Por isso, os primeiros sintomas da gravidez vieram. O corpo acreditava que tudo ia bem. E a sementinha, mesmo com sua estrutura frágil, tentava continuar. Mas o tempo foi passando, e aquele pedacinho a mais — aquele cromossomo que parecia tão pequeno — começou a...

A morte

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  A morte é, ao mesmo tempo, o fim e o espelho da vida. É um mistério que atravessa todas as culturas, crenças e filosofias, desafiando nossa lógica e revelando as nossas fragilidades mais profundas. Pensar sobre ela é pensar sobre o sentido da existência. Ela é inevitável — a única certeza absoluta que temos. E por isso mesmo, exerce um poder imenso sobre tudo o que fazemos. A consciência da morte é o que nos impulsiona a viver com intensidade, a amar com urgência, a criar com propósito. Sem a morte, talvez a vida perdesse o brilho. Ser eterno poderia ser um tédio insuportável. Muitos temem a morte porque ela parece escura, solitária, desconhecida. Mas há quem a veja como um retorno, um descanso, uma libertação — um reencontro com o todo, com o silêncio primordial do qual viemos. Para alguns, ela não é o fim, mas uma passagem. Para outros, é simplesmente o apagar da vela. Nietzsche disse que só quando aceitamos a morte conseguimos nos tornar verdadeiramente livres. E os estoico...

Os Artesãos do Mundo Escondido

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  A Canção dos Leprechauns: De Glória a Anonimato Nos tempos antigos, quando a terra falava e os homens ouviam, havia um povo grandioso conhecido como os Leprechauns. Não eram pequenos, nem astutos ladrões como as histórias modernas contam. Eram reis e rainhas das florestas, altos como os carvalhos, com cabelos que refletiam a luz do sol e olhos tão profundos quanto os lagos mais antigos. Entre eles, Finn era o mais sábio e poderoso. Seu cetro, feito de raízes e pedras ancestrais, carregava a força da terra, e sua voz podia comandar o vento. Os humanos celtas reverenciavam os Leprechauns como guardiões da harmonia entre a natureza e o homem. Durante as festividades, eles dançavam e cantavam em sua honra, oferecendo presentes em troca de fartura, proteção e sabedoria. Finn, em troca, ensinava os segredos da terra, ajudava nas colheitas e mantinha as florestas vivas e sagradas. A Chegada do Novo Deus O equilíbrio foi quebrado com a chegada de missionários cristãos. Trouxeram cruzes, ...

Sob a Lua Sangrenta

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A noite se estendia sobre a floresta como um manto negro e pesado, as árvores se balançando suavemente com a brisa fria que anunciava uma lua cheia sangrenta. No alto, a lua estava avermelhada, como um presságio de que algo grande estava prestes a acontecer. Nas sombras, dois lobisomens de alcateias diferentes observavam um único ponto: uma mulher renegada, cuja presença na floresta era uma ameaça e uma promessa. Lyra, a renegada, tinha olhos tão intensos quanto o fogo e um coração partido pelas cicatrizes de um passado cruel. Nascera numa alcateia nômade, mas a traição dos seus próprios irmãos a tornara uma fugitiva, marcada como uma ameaça. Sua pele possuía a graça de um lobo, mas seu espírito era solitário, distante de qualquer clã. Ela se escondia entre as árvores, fugindo de todos, mas era impossível não ser vista. E ali estavam eles, Kai e Alaric, dois lobisomens que representavam mundos opostos. Kai, com os olhos dourados como o sol nascente, e a pele escura que refletia a força...

Todos e Nenhum Deles

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Amaros, outrora um poderoso Deus, pairava sobre realidades distantes onde o conceito de espaço e tempo era um campo maleável, e onde os deuses não apenas observavam, mas também modelavam o universo. Sua glória antiga era vasta, preenchida por eras de adoração e devoção; contudo, no ocaso de seu poder, Amaros foi esquecido, relegado a uma forma etérea e sem substância, flutuando à deriva entre as memórias de uma divindade e a quietude da existência. Enquanto vagava pelo vazio, Amaros começou a ouvir ecos de antigas verdades e teorias que os mortais debatiam em suas curtas vidas. Uma delas era a Teoria do Ovo, uma ideia intrigante de que cada ser vivo, cada consciência, é a mesma entidade vivendo inúmeras vidas até alcançar um ponto de compreensão total e divina. Outra, conhecida como a Teoria da Caixa, propunha que a existência poderia estar limitada a uma estrutura fechada, onde todas as leis e conceitos são meras construções dentro de um sistema delimitado. Ambos conceitos o instigara...